sexta-feira, 20 de agosto de 2010

GRÊMIO - Iúra, o velho ídolo .




Um dia, o meu amigo Jorge Barnabé entrou nas arquibancadas de pedra do Olímpico levando o filho pela mão e, antes mesmo de se instalar, viu quem havia tempo queria ver. Deu um puxão no braço do menino:
– Filho, aquele lá é o Iúra! O Passarinho!

Importante para o Jorge mostrar ao filho quem era Iúra. Ele sempre falava do Iúra, o maior ídolo da sua adolescência, tempo em que se formam os ídolos. Por isso pediu:

- Vai lá falar com ele, filho. Pede um autógrafo.

O menino olhou para o senhor gordo sentado a uns 10 metros de distância e vacilou. O Jorge insistiu:

- Vai! É o Iúra. O Passarinho!

Era até curiosa tanta admiração. Porque Iúra nunca foi um esteta da bola. Bom jogador, mas longe ser um Rivellino, um Zico. Compensava a falta de virtuosismo com empenho. Corria o tempo inteiro, o campo inteiro. Perdia 3 quilos por jogo. Favorecia-o a compleição física. Tratava-se de um magro clássico: alto, pernas longas, ombros estreitos. Donde o apelido de Passarinho.

- É o maior gremista que já existiu! - disse o Jorge, já empurrando suavemente as costas do menino, que ainda hesitava.

De fato, o que fazia o Iúra entrar nas chuteiras a cada domingo era o amor pelo clube, manifestado, sobretudo, nos Gre-Nais. Era um tempo de Gre-Nais colorados. O Inter havia construído o maior time da sua história, com Falcão, Figueroa e outros torturadores de goleiros inimigos. Iúra lutava contra eles como se estivesse defendendo a pátria da invasão da Wehrmacht.


Em um Gre-Nal de meio de turno, Falcão enfiou-lhe a bola entre as pernas. Iúra não deixou que completasse a janelinha: aplicou uma voadora no volante do Inter. Falcão caiu, levantou e, irônico, colheu a bola do chão e a ofereceu a Iúra. A torcida do Inter uivou de prazer. Vinte minutos depois, Iúra driblou Falcão, que o derrubou. Foi um drible simples, não uma “caneta”. A falta também foi simples, nada parecida com uma voadora. Mas Iúra não perdeu a chance de devolver o sarcasmo: juntou a bola da grama e a estendeu a um Falcão arquejante. Foi a vez de a torcida do Grêmio bramir na arquibancada.

Era assim em todos os Gre-Nais, até que finalmente o Grêmio superou aquele grande Inter, em 1977. Neste ano de redenção, Iúra ingressou na posteridade: marcou o gol mais rápido da história centenária dos Gre-Nais, aos 14 segundos de jogo.

Nos anos 80, Iúra encaminhou o encerramento da carreira. Transferiu-se para o Criciúma, 400 Km ao norte do Olímpico. Foi lá que os dirigentes colorados o procuraram. Ofereceram-lhe uma pequena fortuna para jogar no Inter. Ele aceitou, não havia como não aceitar. Foi ao Beira-Rio. Fez exames médicos. Assinou contrato. Deram-lhe a camisa vermelha para apresentar-se à imprensa. Iúra respirou fundo. Tomou a camisa. Preparou-se para enfiá-la pela cabeça. E parou. O coração bateu fora de compasso. A garganta se lhe fechou. Iúra balbuciou:

- Não consigo botar esta camisa!

E afastou-a de si, e foi-se do Beira-Rio. Pouco tempo depois, abandonou o futebol. Tornou-se conselheiro do Grêmio e vive a dizer que seu sonho é ser presidente do clube.

Jorge repetiu essa história dezenas de vezes para o filho, e agora ele estava lá: Iúra, o Passarinho. O menino olhou para aquele senhor obeso, sentado atrás do bigode, respirando com a dificuldade dos homens grandes demais. Mal cabia na cadeira, tão redondo estava.

- O Passarinho! – insistia o Jorge, e o menino obedeceu. Avançou em direção ao velho herói da infância do pai. A meio caminho, parou. Olhou por sobre o ombro. O Jorge sorria, incentivando-o com a cabeça: “Vai!”.
Ele foi. A metro e meio de Iúra, estacou, os braços ao longo do corpo. Iúra girou a cabeça, fazendo balançar a papada do pescoço. Sorriu para o menino. E o menino para ele:

- O senhor é que era o Iúra?

Não, o tempo não para nem para os titãs.

Política é a coisa mais engraçada do mundo. (ou do Brasil)

PQP. É de chorar!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Valsa - Casimiro de Abreu

Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co'as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De arnores
Que louco

Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas,..
- Eu vi!...
Calado,
Sozinho

Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues
Não mintas...
- Eu vi!

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
Eu vi!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

LARICA TOTAL « Canal Brasil

LARICA TOTAL « Canal Brasil

Final de Semana com a Namorada

Nada melhor do que um programinha a dois num final de semana frio e chuvoso.

Curitiba fica bem mais interessante com uma boa companhia.

Museu do Olho e depois cerveja com pastel no Menina dos Olhos ;)



Ao som de:
Hoje eu acordei para sorrir mostrar os dentes
Hoje eu acordei para matar o presidente
Hoje tem festa, ela vai tá eu vou
Vai ser perfeito
eu vou fazer o que você jamais teria feito
Hoje eu acordei feliz
Sonhei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Hoje eu acordei feliz
Sonhei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Só não quero acordar!
Chegou ficou do lado não parou de olhar pra mim
Eu sinto lhe dizer mas sou o cara que ela é a fim
O sexo é bom o amor, melhor, os dois então perfeito
Eu vou fazer o que você jamais teria feito
Hoje eu acordei feliz!
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis!
Hoje eu acordei feliz!
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Só não quero acordar!
Hoje eu acordei feliz
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Hoje eu acordei feliz
Fiquei com ela a noite inteira
Eu sempre quis
Só não quero acordar!
Chegou ficou do lado
Já sentiu um pouco daquele efeito
Eu vou fazer o que você jamais teria feito
Não quero acordar...Não!

Sampa.

Vou fazer um post rápido sobre os últimos 5 dias.
Quarta feira eu e o @schluga saímos de Curitba às 06h da manhã e chegamos a São Paulo perto do meio dia. Durante a viagem tivemos uma conversa super hippie que mudou minha forma de pensar em várias coisas.
Comecei a ler o livro: The Power of Now. Recomendo. Resumindo: se você estiver descascando batatas, descasque batatas. O segredo é ter foco, pensar no agora e esquecer o resto. O passado já era e para construir um futuro é preciso somente viver o agora - com FOCO. Quando estiver no banho, não pense nos problemas que você vai encontrar durante o dia, ou nas idéias que você precisa pra resolver uma campanha ou o que quer que seja - aproveite o banho, sinta o cheiro do shampoo, os dedos tocando a cabeça... viva o agora.
A viagem em São Paulo foi alucinante, em 60 horas conheci o melhor da cidade: Catedral da Sé, COPAN, Mosteiro São Bendo, Av. Paulista, Oscar Freire etc.. A arquitetura da cidade é maravilhosa, a mistura do Barroco, Art Déco, Gótico e os prédios maravilhosos da Vila Olimpia (Vale do Sílicio brasileiro) - fazem de São Paulo a mais cosmopolita cidade brasileira.
Na Lanchonete da Cidade, comi um Cooper Burger - simplesmente fantástico. Depois de alguns chopes começamos a filosofar e trabalhar ali mesmo, à 1h da manhã.
No dia seguinte, reuniões e reuniões e a noite conheci o Skye Bar, no hotel Unique. Ví a lua cheia nascendo em um cenário de cinema (foto abaixo).
Enfim, São Paulo é minha próxima parada, em poucos anos.